Circo

domingo, 14 de junho de 2015

Another tease from a personal animation project - soon to be published Check out the x2 version


Quando Gilka era pequena, seus pais a levaram num circo. Ela nunca mais se esqueceu do que sentiu naquela primeira vez que ficou debaixo de uma lona colorida. Emoção que se renova até hoje. No tempo da infância de Gilka, circo era uma grande oportunidade de diversão, seus pais nunca puderam comprar bilhetes para que a pequena se sentasse nas cadeiras para assistir aos espetáculos circenses. Naquela época era assim: havia cadeiras em volta do picadeiro, onde os ricos se sentavam de modo mais confortável, com as costas apoiadas. E arquibancadas de madeira, atrás dessas, para os mais pobres. Era preciso ficar atenta para não cair para trás. E as perninhas, soltas, balançando... Gilka sentiu uma ponta de inveja das meninas ricas sentadas com seus vestidos nas cadeiras. Mas, logo pensou: “elas não sentem, sentadas e seguras naquelas cadeiras, o que sinto sentada aqui. Elas não veem o que vejo daqui.” E ela nem desconfiava que algumas meninas ricas passaram o espetáculo inteiro olhando para trás, com vontade de trocar de lugar com as meninas pobres. De todos os artistas, os que mais agradavam Gilka eram os trapezistas. Como homens poderiam voar se não tinham asas como a dos anjos? Os trapezistas levavam os pensamentos da menina para um lugar mágico. E faziam também com que ela acreditasse que eles eram as pessoas mais felizes do mundo. Sua paixão pelo circo levou-a a estudar e a praticar artes circenses e hoje faz manobras no tecido aéreo. Fica lá em cima enrolada naqueles panos lindos se mexendo ao som de uma boa música. Ela diz que circo é lugar de encantamento, de alegria, de sonhos. Homens voam...se superam... brincam, fazem o público feliz alimentando seus espíritos...
(Berenice de Fátima)

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